A doença de Peyronie é uma condição em que se forma uma placa de tecido fibroso na túnica albugínea, a camada que envolve os corpos cavernosos do pênis. Essa placa reduz a elasticidade daquele ponto e faz com que o pênis assuma uma curvatura peniana durante a ereção, muitas vezes acompanhada de dor na fase inicial e, em parte dos casos, de dificuldade de ereção. A causa mais aceita envolve microtraumas repetidos na relação sexual em pessoas com predisposição à cicatrização fibrosa, embora nem todo paciente identifique um trauma específico. O tratamento depende da fase: na fase aguda o foco é controlar dor e progressão com medidas clínicas; na fase crônica, com a curvatura já estabilizada, avalia-se a correção cirúrgica quando há prejuízo à relação sexual. Em São Paulo, a avaliação é feita pelo Dr. Januário de Souza, urologista e andrologista, nos consultórios de Pinheiros e Itaim Bibi. A conduta é definida em consulta presencial, após exame físico.
Revisado por Dr. Januário de Souza — CRM|SP 231164 | RQE 101622 · Última revisão em 31/07/2026.
O que é a doença de Peyronie?
O pênis tem dois cilindros responsáveis pela ereção, os corpos cavernosos, envolvidos por uma membrana elástica chamada túnica albugínea. Quando o sangue preenche esses cilindros, a túnica se distende de forma homogênea e a ereção fica retilínea. Na doença de Peyronie, uma área dessa membrana é substituída por tecido fibroso — a placa. Como o tecido fibroso não acompanha a distensão do restante da túnica, o pênis se curva em direção à placa durante a ereção. É por isso que a curvatura aparece na ereção e pode não ser percebida com o pênis flácido.
Curvatura peniana normal ou doença de Peyronie?
Nem toda curvatura é doença. Muitos homens têm um desvio discreto e estável desde a adolescência, sem placa palpável e sem dor: é a curvatura congênita, uma variação anatômica que só é investigada se atrapalha a relação sexual. O que distingue a doença de Peyronie é a evolução — a curvatura surge ou se acentua na vida adulta, geralmente ao longo de meses, e vem acompanhada de uma placa endurecida que pode ser sentida pela pele. Essa diferença muda completamente a conduta, e é um dos primeiros pontos esclarecidos na consulta.
Quais são as causas e as fases da doença?
A explicação mais aceita é a de um processo de cicatrização anormal. Microtraumas repetidos durante a relação sexual, muitas vezes imperceptíveis no momento em que ocorrem, desencadeiam uma resposta inflamatória que, em pessoas predispostas, evolui para fibrose em vez de cicatrizar de forma organizada. Entre os fatores associados descritos na literatura urológica estão histórico familiar, diabetes, tabagismo, alterações do tecido conjuntivo — como a contratura de Dupuytren, na mão — e cirurgias ou procedimentos prévios na região. Ter um desses fatores não significa que a doença vá ocorrer, e a ausência deles não exclui o diagnóstico.
Fase aguda (inflamatória)
É o período em que a placa está se formando. A curvatura pode mudar de grau ao longo dos meses e a dor durante a ereção é frequente. Costuma durar cerca de seis a dezoito meses, com variação individual. É a fase em que o tratamento clínico tem maior espaço, porque o processo ainda está ativo. Como a curvatura ainda não é estável, a correção cirúrgica em geral não é indicada nesse momento.
Fase crônica (estável)
A placa amadurece, a dor tende a desaparecer e a curvatura se estabiliza, sem novas alterações por um período. A partir daí, a decisão terapêutica deixa de ser sobre conter a progressão e passa a considerar o impacto funcional: se a curvatura permite ou não a relação sexual, e se existe dificuldade de ereção associada.
Quais são os sintomas da doença de Peyronie?
- Curvatura peniana que surge ou se acentua ao longo do tempo, percebida na ereção.
- Placa fibrosa palpável sob a pele do pênis, como um endurecimento localizado.
- Dor durante a ereção, mais característica da fase aguda e que tende a diminuir depois.
- Encurtamento ou alteração no formato do pênis em ereção, como estreitamento em um ponto da haste.
- Dificuldade de ereção associada, em parte dos casos.
- Dificuldade ou desconforto na relação sexual, para o paciente ou para a parceria.
Há ainda um sintoma que raramente aparece nas listas, mas aparece na consulta: o impacto emocional. Ansiedade, retraimento e evitação da vida sexual são comuns nesse quadro e fazem parte do que precisa ser acolhido na avaliação, e não tratado como detalhe secundário.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico. Na consulta, o histórico reconstrói quando a curvatura começou, se mudou desde então, se houve dor e qual o efeito prático sobre a relação sexual. O exame físico identifica a placa por palpação e sua localização na haste, o que já indica a direção provável da curvatura. Fotografias do pênis em ereção, feitas pelo próprio paciente conforme orientação, ajudam a documentar o grau da curvatura, já que ela não é reproduzível no consultório.
Quando necessário, o estudo é complementado pela ultrassonografia com Doppler peniano, que caracteriza a placa, identifica calcificação e avalia o fluxo sanguíneo — informação relevante sobretudo quando há queixa de disfunção erétil associada, porque isso influencia diretamente a escolha do tratamento. Quando a queixa vem acompanhada de outros sintomas, como queda de libido ou alterações hormonais, a investigação pode ser ampliada em uma avaliação andrológica completa.
Quais são as opções de tratamento clínico e cirúrgico?
Não existe um tratamento único para a doença de Peyronie. A escolha depende da fase, do grau e da direção da curvatura, da presença de dor, da existência de dificuldade de ereção e do quanto o quadro interfere na vida sexual. O quadro abaixo resume como as duas abordagens se posicionam.
| Critério | Tratamento clínico | Tratamento cirúrgico |
|---|---|---|
| Fase em que costuma ser indicado | Fase aguda, com a doença ainda em atividade | Fase crônica, com a curvatura estabilizada |
| Objetivo principal | Controlar a dor e limitar a progressão da curvatura | Corrigir a curvatura que impede a relação sexual |
| Como é feito | Medidas orientadas em consulta, que podem incluir medicação, aplicações na placa e terapias mecânicas de tração | Técnicas de plicatura, de incisão ou enxertia da placa e, em casos selecionados, prótese peniana |
| Recuperação | Ambulatorial, com acompanhamento ao longo de meses | Procedimento cirúrgico, com período de recuperação e retorno programado |
| Ponto de atenção | Resposta variável entre pacientes; exige seguimento para reavaliar a evolução | Cada técnica tem indicações e limitações próprias, discutidas antes da decisão |
Quando existe dificuldade de ereção que não responde ao tratamento e a curvatura compromete a relação sexual, a prótese peniana pode resolver as duas situações em um mesmo procedimento. É uma decisão de exceção, tomada após esgotadas as alternativas e com o paciente plenamente informado sobre o que muda de forma definitiva.
Nenhuma dessas opções tem resultado garantido, e nenhuma é escolhida por telefone ou mensagem. A conduta é definida presencialmente, com exame físico, e reavaliada conforme a evolução.
Quando procurar um urologista?
A orientação é procurar avaliação assim que a curvatura for notada, especialmente se ela apareceu na vida adulta, se está mudando ou se há dor na ereção. Também justificam consulta a percepção de um endurecimento na haste, o encurtamento do pênis em ereção e a dificuldade de manter a relação sexual.
Por que a fase importa
Iniciar o acompanhamento ainda na fase aguda amplia o leque de opções, porque o processo está ativo e há espaço para o tratamento clínico. Quem procura avaliação apenas na fase crônica, com a curvatura já estabilizada, tende a ter na correção cirúrgica o principal caminho disponível. Adiar não torna o quadro irreversível, mas costuma reduzir as alternativas.
A consulta pode ser agendada nos consultórios de Pinheiros ou do Itaim Bibi, em São Paulo. Outras áreas de atuação estão reunidas na página de áreas de atuação, e a apresentação completa do atendimento está na página inicial.
Perguntas frequentes
Toda curvatura peniana é doença de Peyronie?
Não. Um grau leve de curvatura é comum e considerado variação normal da anatomia. A doença de Peyronie é caracterizada por curvatura que se desenvolve ao longo do tempo, associada a uma placa fibrosa palpável e, frequentemente, dor durante a ereção.
A doença de Peyronie tem cura?
O tratamento busca estabilizar a progressão, reduzir a dor e, quando indicado, corrigir a curvatura que compromete a relação sexual. Em parte dos casos há melhora funcional relevante, ainda que a placa fibrosa não desapareça completamente sem intervenção. O resultado é individual e depende da fase da doença, do grau da curvatura e das condições clínicas de cada paciente.
Como é feito o diagnóstico da doença de Peyronie?
O diagnóstico é essencialmente clínico: histórico da evolução da curvatura e exame físico, com palpação da placa fibrosa. Quando necessário, é complementado por ultrassonografia com Doppler peniano, que ajuda a caracterizar a placa e a avaliar o fluxo sanguíneo, sobretudo quando há queixa de dificuldade de ereção associada.
Quando a cirurgia é necessária?
A cirurgia é considerada quando a curvatura já estabilizada (fase crônica) impede a relação sexual e o tratamento clínico não trouxe melhora funcional suficiente. A técnica é escolhida caso a caso, conforme o grau da curvatura, o comprimento peniano e a presença ou não de disfunção erétil associada.
A doença de Peyronie está relacionada a trauma peniano?
Sim, microtraumas repetidos durante a relação sexual são apontados como fator desencadeante em muitos casos, embora nem todo paciente identifique um episódio de trauma específico.
A doença de Peyronie causa disfunção erétil?
Pode estar associada a ela. A dificuldade de ereção pode surgir pela própria alteração estrutural do tecido, por condições vasculares que coexistem com a doença ou pelo componente emocional que acompanha o quadro. Por isso a avaliação investiga as duas queixas em conjunto, e não isoladamente.
Fontes e referências
- Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) — www.sbu.org.br
- Conselho Federal de Medicina (CFM) — portal.cfm.org.br
- Ministério da Saúde — gov.br/saude
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